Vamos começar por decifrar o que são LLM: no fundo, os LLM, ou Large Language Models, são um tipo de inteligência artificial treinada com técnicas de machine learning, compreender e gerar linguagem humana. Estes modelos conseguem responder a perguntas, escrever textos, traduzir, resumir, programar, entre outras coisas — tudo com linguagem natural.
Quais são alguns exemplos de LLM’s?
- GPT-4 / ChatGPT (da OpenAI);
- Gemini (do Google);
- Google SGE (do Google);
- Claude (da Anthropic);
- entre outros.
Mas qual é o impacto dos LLM em SEO?
Embora se fale muito hoje em dia sobre a possibilidade de vários trabalhos no digital se tornarem obsoletos devido a ferramentas de IA, será que isso corresponde à realidade?
A verdade é que, embora as ferramentas de IA facilitem, em muitos casos, a realização de determinadas tarefas, continua a existir sempre a necessidade de intervenção de um agente humano. Mas porquê?
As ferramentas de IA são treinadas através de dados que lhes são providenciados, ou seja, apesar de compreenderem as perguntas que lhes são feitas e conseguirem dar respostas que soam humanas, não pensam por si próprias.
Ainda assim, apesar de não conseguirem ter um raciocínio próprio, não quer dizer que não nos possam ajudar a poupar tempo em várias tarefas, nomeadamente:
- Pesquisar keywords e tendências atuais dos utilizadores – por exemplo, eu pesquisei por “quais são as keywords mais pesquisadas atualmente relacionadas com SEO?” e as respostas são muito associadas ao uso de IA, nomeadamente “IA para SEO”, “ferramentas de IA para criação de conteúdo”, entre outras. Não quer dizer necessariamente que estas sejam as keywords com maiores volumes de pesquisa para eu começar a desenvolver uma estratégia em torno das mesmas, mas fornece-me uma base de tópicos relevantes que os utilizadores têm associado ao tema do SEO.


- Criação de conteúdo – atualmente é possível pedir às ferramentas de IA que escrevam praticamente sobre tudo, desde copies inteiros para páginas, a meta-descrições. Quantas mais informações dermos às ferramentas de IA, mais personalizado será o copy, ao ponto de parecer que foi escrito por um humano, e, consequentemente, mais personalizada será a experiência do utilizador.
- Planeamento de estruturas – hoje em dia já é possível perguntar aos LLM como devo estruturar a minha informação de forma que ela faça sentido. Para além disso, também já é possível fazer upload de ficheiros e pedir recomendações de melhorias de estrutura, o que facilita o encadeamento de informação de uma forma lógica.
- Otimização técnica – com recurso a ferramentas de IA é possível correr auditorias de páginas de forma a obter recomendações de SEO on-page, por exemplo.
- Automação de tarefas on-going – através da combinação de diferentes ferramentas, atualmente já é possível otimizar processos como a produção de conteúdo dinâmico (por localizações, por ex.) ou até criar várias variações de títulos ou meta-descrições para a mesma página, por ex.. Fazer o setup deste tipo de processos pode ajudar a alocar o tempo dispendido neste tipo de tarefas para algo mais produtivo, e inclusive pode ajudar a criar uma experiência mais personalizada para cada utilizador.
- Criação de conteúdo focado em Google SGE (Search Generative Experience) – as ferramentas de IA podem ajudar-nos a criar conteúdo que seja mais facilmente apresentado pelas ferramentas de IA dos próprios motores de busca.

Adicionalmente, podem também ajudar-nos a criar conteúdo mais focado em keywords long-tail onde, por norma, os motores de busca têm mais dificuldade em resumir e apresentar logo uma resposta à query em causa.
Mas o que estas mudanças no paradigma digital têm de bom, também têm de mau uma vez que, com a introdução da IA no digital, surgem novos desafios para os profissionais que trabalham na área.
Quais os desafios de LLM em SEO?
Existe uma mudança no comportamento de pesquisa dos utilizadores
Atualmente, as pessoas tendem a pesquisar de uma forma mais natural e até conversacional com os motores de busca. Isto faz com que haja uma necessidade de maior personalização em termos de otimização para as keywords definidas.
Para além disso, cada vez se assiste mais a uma queda de cliques orgânicos nos websites. Isto deve-se ao facto de as pessoas pesquisarem por determinados temas e, muitas vezes, ser-lhes apresentado imediatamente uma resposta gerada por IA, o que faz com que deixe de existir a necessidade dos utilizadores entrarem nos websites.
Por exemplo, na indústria da saúde, o Google SGE tem tido um impacto de 41% (declínio de cliques orgânicos).

Contudo, outro fator alarmante é que cada vez mais as pessoas deixam de recorrer aos motores de busca e começam a “falar” diretamente com as ferramentas de IA. E porque é que dizemos “falar”? Porque a realidade é que já existem muitas pessoas a terem conversas numa base diária com os chats sobre vários aspetos das suas vidas, pelo que a dependência por este tipo de ferramentas começa a aumentar e ter consequências na forma como as pessoas pesquisam na web.
Risco de conteúdo redundante
Se dependermos demasiado de LLM’s, o que acaba por acontecer é que não estamos a criar conteúdo único, isto porque o LLM, como já falámos anteriormente, não pensa por si próprio. Portanto, o que o LLM faz é ler e analisar vários tipos de conteúdos aos quais tem acesso e gerar uma resposta com base na pergunta. Mas isto não quer dizer que a resposta esteja correta, ou que seja a mais correta. É por este motivo que deve ser mantido um equilíbrio entre o uso de ferramentas de IA e a intervenção humana, para garantir que o nosso conteúdo é autêntico e agrega valor real para quem o consome.
Necessidade de Autoridade
No seguimento do ponto anterior, como sabemos, o Google penaliza conteúdo copiado de outras fontes e inclusive conteúdo que não acresce valor. Assim, surge a necessidade de nos afirmarmos como uma referência dentro da área de forma a mostrar relevância para os nossos utilizadores e também expertise dentro do nosso setor.
O que é que retiramos deste impacto dos LLM’s em SEO?
Os LLMs estão a transformar o SEO de uma disciplina técnica e manual para uma abordagem mais estratégica, automatizada e orientada para a experiência do utilizador.
Embora facilitem a criação de conteúdo em escala, a análise semântica e a adaptação a novos formatos de pesquisa (como a pesquisa gerada com IA), exigem maior foco em qualidade, autoridade e intenção de pesquisa para manter (ou melhorar) a visibilidade nos motores de busca.